Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Variedades
ESPECIAL Dia das Mães: a distância só aumenta o amor

Sexta, 10/5/2019 14:36.

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Por Renata Rutes

O Dia das Mães, comemorado neste domingo (12), é uma data especial, momento em que os filhos presenteiam, abraçam, beijam as mamães, e curtem esse dia tão esperado. Mas o que acontece com as mães e filhos separados por quilômetros de distância? O Página 3 conversou nesta semana com mães que contam suas histórias repletas de saudade e muito amor por suas crias que estão em outros estados do Brasil ou até mesmo do outro lado do mundo. Algumas dizem que já estão acostumadas, outras sentem mais saudade, mas todas concordam: a distância só aumenta o amor.


Darlene de Pieri Pereira, enfermeira da saúde da mulher e mãe de quatro filhos: Lívia, 32 anos, bailarina que está atualmente na China, Domitila, 35 anos, engenheira mecânica que mora nos Estados Unidos, Tito Luiz, 29 anos, mestrando em Jornalismo que mora em Florianópolis e Clarice, 30 anos, advogada, a única que reside em Balneário.

“Eu procuro não ser uma mãe egoísta, esse amor que sinto por eles nunca muda, ele é sem dimensão e constante. O amor deve ser libertador, sempre soube que eles não são meus. A primeira a sair de casa foi a Domitila, que foi para Florianópolis fazer faculdade, mas até então sempre vinha para casa. Primeiramente ela foi para Macaé, onde a empresa que ela trabalha até hoje tem filial, e depois de quatro anos transferiram ela para Houston, nos Estados Unidos, onde ela está há quatro anos. Ela é casada e o esposo dela, que também é brasileiro, trabalha na mesma empresa que ela. Sinto falta da presença física, do olho no olho, do abraço, mas ela está feliz. Vejo que é melhor ela estar feliz longe de mim do que infeliz ao meu lado. A tecnologia ajuda muito, graças a Deus temos esse instrumento. Nos falamos por vídeo pelo menos uma vez por semana. Última vez que vi a Domitila foi no Natal, ela veio pra cá, e agora em maio ela virá novamente. Normalmente nos vemos duas vezes por ano, ela vem mais pro Brasil do que eu vou pra lá, mas eu também costumo ir. Minha outra filha, a Lívia, é bailarina. Ela estava em casa desde o ano passado, e acabou de embarcar para a China, onde ficará até novembro. Ela está fazendo apresentações em parques temáticos, junto de um grupo de dança que se formou em São Paulo após audições. Sinto falta dela, mas ela é mais presente fisicamente. Já o Tito, que mora em Floripa, estará comigo no Dia das Mães, assim como a Clarice, que mora em Balneário e trabalha com o pai inclusive. Meu Dia vai ser com metade dos meus filhos, mas sempre digo que eles podem esquecer o meu aniversário e o Natal, mas não o Dia das Mães (risos). Apesar de ter a parte comercial, eu acho que é uma data linda. Sei que mesmo com a distância física, sempre estarei junto com os quatro no coração”.


Ruth Mary Rutes, professora de Educação Física e mãe de duas filhas, Marina Araceli Gomez Rutes, 25 anos, que trabalha com Comércio Exterior e mora em Londres, e Luana Gomez Rutes, 18 anos, que mora em Joinville e estuda Design de Animação Digital.

“Minha filha mora fora do Brasil há quase dois anos, mas antes disso já havia feito um intercâmbio para Londres, em 2015. Neste tempo conseguimos tirar cidadania, através de Luxemburgo, e ela decidiu se mudar para lá. A Marina é formada em Relações Internacionais, e em Londres trabalha com Comércio Exterior. Felizmente já tive a oportunidade de visitá-la duas vezes, e ela virá para o Brasil em julho. O coração de mãe sofre muito a falta da presença física. A saudade que sinto no dia a dia por tê-la tão distante é uma mescla de sentimentos. Por um lado vem simultaneamente a alegria de vê-la realizando seus objetivos, por outro lado vêm todas as preocupações peculiares de mãe quando o filho está ausente. Penso que os sistemas de comunicação atualmente diminuem muito esta sensação do vazio, pois mantemos contato muitas vezes no dia. No Dia das Mães vêm as reflexões, as lembranças, o desejo de estar próxima de quem amo tanto, mas a Luana estará comigo, nos vemos sempre. Sei que a Marina está vivendo o que projetou e isso me tranquiliza. A frase mais linda e doce aos ouvidos de uma mãe é ‘mãe, eu estou bem’. Ouvindo isto os dias vão passando e sei  que logo nos encontraremos. Os filhos crescem e saem do ninho, nossa missão como mãe é dar o amor e carinho, ingredientes fundamentais para enfrentar o grande mundo lá fora”.


Marli Stieven Sonza, enfermeira e mãe de três filhos, Mariana, 32 anos, advogada, Marcelo, 30 anos, engenheiro mecânico e Marília, 27 anos, arquiteta.

“A vontade de conhecer e experimentar outras culturas sempre foi muito forte em nossa família. A Mariana morou dois anos na Inglaterra e alguns meses na Alemanha e Itália, após sua graduação. O Marcelo morou alguns meses nos Estados Unidos, e a Marília está há dois anos na Europa, morou um ano na Itália e agora está em Londres, onde pensa em se estabelecer. Temos cidadania italiana, o que facilita um pouco. O contato com os três é frequente, seja por vídeo, celular, WhatsApp. Filhos longe de casa não é estranho para mim, esta também é minha história e por isso eu sempre os apoiei neste sentido. Não tive a "síndrome do ninho vazio", me preparei para essa fase e estou feliz quando meus filhos também estão. Dia das mães para mim é todo dia! Eu me identifico com  uma frase que diz “Ser mãe é a arte de se tornar desnecessária”, pode ser um pouco triste, mas ela é acima de tudo genial e perfeita”.


Ciça Muller, empresária, mãe de Aline Müller Pasetti, 28 anos, que mora em Lisboa e trabalha em uma agência de publicidade, assim como a mãe, que é proprietária da Inteligência Marketing.

“Ser mãe de filha que mora no exterior me faz calcular tudo em milhagem (risos), uma bolsa, um sapato, um jantar, enfim tudo vira milhagem porque nosso objetivo é estar sempre que possível lá! Desde pequena a Aline queria explorar o mundo, conhecer pessoas e lugares diferentes. A Europa permite isso, porque em poucos quilômetros é possível conhecer lugares mega diferentes, com culturas, comida, costumes bem próprios e ao mesmo tempo nem precisa sair de onde está pra falar com gente do mundo todo, o trabalho, escola, tudo proporciona conhecer gente da Turquia, Noruega, Índia, Rússia, Alemanha, etc. Além da cabeça do povo europeu ser mais parecida com a da Aline, depois que saímos do nosso conforto é muito difícil nos acostumarmos com ele de novo. Por isso observo o quanto ela está feliz! Nos falamos várias vezes ao dia, nos aconselhamos e até algumas vezes discutimos, como se vivêssemos na mesma cidade. Nos primeiros anos, eu ainda procurava pessoas parecidas com ela andando pelas ruas, pra matar um pouco a saudade visual que tinha. Dá pra viver bem e planejar os encontros e claro, usar bem a tecnologia a nosso favor. Agora espero inventarem um jeito de nos teletransportar (risos). Nossos encontros são sempre muito emocionantes, com direito a abraços, beijos e lágrimas (risos). Estamos sempre planejando nossos próximos encontros e onde serão, mundo afora, pois aproveitamos os períodos de férias que temos. O Dia das Mães é para mim um momento de reflexão sobre a qualidade das relações. Às vezes podemos ser mães de um colega de trabalho, de um sobrinho e de quem está próximo necessitando acolhimento”.


Lúcia Oliveira Borges Rau, enfermeira aposentada e mãe de Carolina, 36 anos, que mora em Oslo, na Noruega, e Lilian, 27 anos, que mora em Florianópolis.

“Ambas começaram o processo de saída do ninho com o objetivo de estudar e se profissionalizar. Isso aconteceu por volta dos 17, 18 anos. Foi muito difícil para mim essa separação e percebi mais tarde que também não foi menos difícil para a outra irmã, que tinha nove anos a menos. Tudo é como um parto, tudo meio traumático, mas quando o resultado é positivo, surge a vida e tudo vai se adaptando. Assim a Carolina iniciou o curso de Medicina na UFPR, em Curitiba, e a  Lilian alguns anos depois o curso de Design na UFSC. Mesmo já habituada com a ausência de uma filha, a saída da segunda foi um novo parto e o ninho agora estava vazio! Assim, muitos momentos de reflexão vão inundando os pensamentos. O saudosismo e a angústia fazem parte do processo, mas também a alegria de vê-las crescerem e se prepararem para os desafios de uma vida independente. As decisões serão delas, mas as consequências vão espirrar em nós, pois mães que amam seus filhos só estarão bem ao ver seus filhos em situação boa. Assim, a Lilian permaneceu em Florianópolis ao terminar a faculdade. Conseguiu manter um emprego e me parece que gosta bastante do que faz. Nos falamos sempre por celular, Skype e muitas vezes nos vemos, vou a Florianópolis ou ela vem aqui pois a distância é fácil. Já a Carolina a situação é bem diferente, a distância é muito grande. Ela inclinou-se para a área de Saúde Pública. Ao terminar a residência, casou em Curitiba e seguiu  num projeto aventureiro com seu marido que já havia em período anterior conhecido a Noruega. Lá ela conquistou um curso de mestrado e doutorado, e se dedica a área de pesquisa na Universidade de Oslo. Como a Lilian, a Carolina se encontrou nesta área, gosta muito do que faz. Em seus trabalhos, a pesquisa de campo é desenvolvida aqui no Brasil e isso acaba favorecendo muito nossos encontros. Nos falamos com frequência por chamadas de vídeos e combinamos por mensagens os horários para esses encontros pois o fuso horário dificulta, lá são cinco horas a mais. Contudo, é uma distância grande até a Noruega, mas já fui seis vezes para lá. São necessários três voos, um trem e um bonde até chegar ao destino. Duas vezes foi para a alegria do nascimento de meus netos, o Oliver em 2013 e o Benjamin em 2016. Assim, concluo que, ser mãe é amar, e amar é superar os desafios e de dar condições dignas de vida aos seus filhos e depois deixá-los voar. Hoje me sinto muito feliz e orgulhosa pelas minhas filhas. Elas são o meu presente. O Dia das Mães para mim não tem distância, não tem preço e nem dia na verdade, porque o verdadeiro presente é dado por Deus na oportunidade que me permitiu, na graça que tive de conduzi-las e hoje ver que são bons frutos numa sociedade!”.


Patrícia de Zutter Melo, professora de Inglês e mãe de Beatrice Melo, 25 anos, que mora em Gold Coast, na Austrália, e da Isabela, 12 anos, que mora em Balneário.

“Quando a Bea terminou o terceirão perguntamos se queria fazer um curso superior ou intercâmbio, como ela não havia decidido qual curso fazer e sempre teve vontade de morar fora, decidiu pelo intercâmbio e então despertou para o mundo. Foi para a Califórnia e retornou decidida que iria morar fora, quando voltou começou a trabalhar para guardar dinheiro, e com nosso apoio foi para a Austrália, ela optou pelo país porque é possível trabalhar legalmente desde que esteja estudando. Ela está lá há dois anos e não tem intenção de retornar. Mesmo assim é difícil, sempre falei que criaria minhas filhas para o mundo, mas é claro que gostaria que ela estivesse perto. Porém, tenho consciência que seria muito egoísmo e fico feliz em saber que ela está feliz lá do outro lado do mundo. Fui para lá em 2018 e foi maravilhoso porque matei as saudades, tive a oportunidade de conhecer um país fantástico e a certeza que ela tinha feito a escolha certa. Em casa todos sentem muita falta dela, mas pelo momento político e econômico que estamos vivendo aqui, sabemos que ela está muito bem lá, então de certa forma isso nos conforta! Eu não dou muita importância para datas comemorativas, vejo muito como algo comercial, mas pelo contexto, de pessoas comemorando e postando massivamente nas redes sociais faz com que eu sinta mais falta dela, mas também graças a essa tecnologia conversamos quase todos os dias, o que facilita um pouco lidar com a distância”.


Jaqueline Herta Knoll Campos, diretora de escola e professora de História, mãe de Ananda, 35 anos, que mora em Salvador, e Sofia, 23 anos, que reside em Balneário, e vó de Iara e Diana.

“Quando eu recebi a notícia de que a Ananda ia embora para Salvador teve assim um misto de alegria e tristeza. Alegria porque ela e o marido estavam indo construir uma vida melhor, porque o esposo dela passou para um concurso para uma universidade federal e a gente fica feliz, mas veio a tristeza de saber que ela ia para longe. É uma coisa muito difícil para uma mãe aceitar. Ter ela longe é complicado, a gente sente saudade, se preocupa, porque quando está perto qualquer coisa a gente corre, acode. Por mais que ela seja adulta, mãe, continua sendo sempre minha filha, e a distância atrapalha um pouco porque eu acabo me preocupando um pouco mais. Ela está morando lá há três anos. A gente procura matar a saudade nos visitando. Eu tenho frequentado bastante a ponte aérea Navegantes-Salvador (risos). Já fui para lá umas quatro ou cinco vezes nesses três anos e é bom, mas é desgastante, cansativo, é uma viagem longa... mas para matar a saudade a gente faz o impossível. Ela também vem pra cá, veio duas vezes nesse tempo para nos ver e ver a família do pai dela, que também ficou aqui. Hoje a tecnologia ajuda muito, porque temos o telefone, videochamada, Whats, mandamos foto sempre. Tenho duas netas inclusive, a mais nova, a Diana, nasceu lá. Já temos uma baianinha na família (risos). Para mim o significado do Dia das Mães é o momento de amor que a gente recebe dos filhos, e que também podemos transmitir para nossas mães, eu ainda graças a Deus tenho a minha. Nesse dia é a hora de expressar todo o carinho que às vezes deixamos de expressar no dia a dia. A Sofia é muito de fazer um programa comigo, ela não liga tanto para presente. Estamos vendo de sair, ir ao cinema, numa sorveteria, curtir um momento mãe e filha. Eu acho isso muito legal da parte dela. É o momento de expressar e viver o que deveríamos expressar todos os dias, pois todos os dias a gente é mãe”.


Simone Sampaio é mãe de Mateus, 19 anos, que estuda e mora na Alemanha, e da Maria Clara, 12 anos.

“O Mateus cursava o Ensino Médio no IFC e começou a participar de um projeto de robótica, que acontecia com alunos do nível superior, eles iam a competições fora do Brasil e ele começou air também, já falava bem o inglês. Foi numa viagem para fora, em Nova York, que voltou muito animado. Depois dali ele também se inscreveu num projeto também oferecido pelo IFC, quando fez um intercâmbio e foi para a Universidade do Porto, em Portugal. Ficou lá quase quatro meses e já foi bastante difícil, porque apesar de eu ficar muito feliz com essa conquista dele, eu fiquei muito preocupada. Foram os primeiros quatro meses dele sozinho, mas ele já tinha a visão de saber lidar com certas situações. Desde os 13 anos ele pratica remo, então já havia viajado para outros estados brasileiros e tido experiências sozinho muitas vezes. Quando ele retornou, ele já entrou universidade, cursando Engenharia Elétrica, e decidiu que queria estudar fora do Brasil, e o melhor lugar para a profissão dele seria a Alemanha. Ele fez contato com um menino que traçou o mesmo caminho que ele, que aconselhou que ele precisaria fazer alemão. Ele fez durante um ano e meio três cursos de alemão, e agora lá ele está fazendo uma complementação do Ensino Médio, para acessar diretamente a universidade lá. Ele fez tudo isso sozinho. Como mãe eu acho que quando ele começou a fazer alemão, eu senti que ele tinha o sonho de ir morar fora, mas ele falava mais com o pai sobre isso, acho que ele sentia que eu ia sofrer e foi deixando para depois. Foi indo e ele começou a falar algumas coisas, meu marido Alexandre começou a falar comigo, foi ficando mais real. Não tínhamos a menor ideia como tudo poderia acontecer, mas tudo foi dando certo. Porém, não posso negar que sofri bastante, principalmente porque não tem data para voltar. Para a Maria e o Alexandre também é complicado. Quando o Mateus foi para Porto a Maria era menor e ela sofreu muito, chorava muito, ficava muito grudada comigo. Agora que ela está maior, também faz remo, estuda inglês, ela tem dias bastante cheios e se distrai um pouco. Eles não tem contato diário, mas está bem. Eu e o Alexandre temos nos acostumado mais com a ideia, tem dias mais difíceis e dias mais fáceis. As vezes um segura a onda do outro. A gente mata a saudade usando a internet, conversando por vídeo, ele mostra onde está, sempre nos mantém informados. Ao mesmo tempo que eu sei que todo o investimento que fizemos sobre ele como pais, psicológico, auxiliando na formação de caráter, sabemos que ele está lá porque é seguro e determinado, mas fico com o coração apertado porque é muito longe. Porém, ele está feliz e isso enche meu coração de alegria, faz com que eu suporte melhor. Já passei um Dia das Mães sem ele, quando ele estava em Porto, dá uma angústia muito grande, de querer abraçar, beijar, sentir o cheiro. E sei que esse vai ser assim também, mas sei que ele pode não estar perto fisicamente, mas sei do amor que ele sente por mim e isso compensa. Pretendemos trazer ele em dezembro para ficar conosco, com os amigos e com a namorada. Ser mãe é uma missão, colocamos eles para ser alguém, fazemos com que se sintam seguros, amados, e incentivamos que possam ter suas próprias vidas. Eles sempre podem retornar para casa, mas não porque precisam e sim porque nos amam. Vejo que com ele a minha missão foi cumprida”.


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Página 3

ESPECIAL Dia das Mães: a distância só aumenta o amor

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Sexta, 10/5/2019 14:36.

Por Renata Rutes

O Dia das Mães, comemorado neste domingo (12), é uma data especial, momento em que os filhos presenteiam, abraçam, beijam as mamães, e curtem esse dia tão esperado. Mas o que acontece com as mães e filhos separados por quilômetros de distância? O Página 3 conversou nesta semana com mães que contam suas histórias repletas de saudade e muito amor por suas crias que estão em outros estados do Brasil ou até mesmo do outro lado do mundo. Algumas dizem que já estão acostumadas, outras sentem mais saudade, mas todas concordam: a distância só aumenta o amor.


Darlene de Pieri Pereira, enfermeira da saúde da mulher e mãe de quatro filhos: Lívia, 32 anos, bailarina que está atualmente na China, Domitila, 35 anos, engenheira mecânica que mora nos Estados Unidos, Tito Luiz, 29 anos, mestrando em Jornalismo que mora em Florianópolis e Clarice, 30 anos, advogada, a única que reside em Balneário.

“Eu procuro não ser uma mãe egoísta, esse amor que sinto por eles nunca muda, ele é sem dimensão e constante. O amor deve ser libertador, sempre soube que eles não são meus. A primeira a sair de casa foi a Domitila, que foi para Florianópolis fazer faculdade, mas até então sempre vinha para casa. Primeiramente ela foi para Macaé, onde a empresa que ela trabalha até hoje tem filial, e depois de quatro anos transferiram ela para Houston, nos Estados Unidos, onde ela está há quatro anos. Ela é casada e o esposo dela, que também é brasileiro, trabalha na mesma empresa que ela. Sinto falta da presença física, do olho no olho, do abraço, mas ela está feliz. Vejo que é melhor ela estar feliz longe de mim do que infeliz ao meu lado. A tecnologia ajuda muito, graças a Deus temos esse instrumento. Nos falamos por vídeo pelo menos uma vez por semana. Última vez que vi a Domitila foi no Natal, ela veio pra cá, e agora em maio ela virá novamente. Normalmente nos vemos duas vezes por ano, ela vem mais pro Brasil do que eu vou pra lá, mas eu também costumo ir. Minha outra filha, a Lívia, é bailarina. Ela estava em casa desde o ano passado, e acabou de embarcar para a China, onde ficará até novembro. Ela está fazendo apresentações em parques temáticos, junto de um grupo de dança que se formou em São Paulo após audições. Sinto falta dela, mas ela é mais presente fisicamente. Já o Tito, que mora em Floripa, estará comigo no Dia das Mães, assim como a Clarice, que mora em Balneário e trabalha com o pai inclusive. Meu Dia vai ser com metade dos meus filhos, mas sempre digo que eles podem esquecer o meu aniversário e o Natal, mas não o Dia das Mães (risos). Apesar de ter a parte comercial, eu acho que é uma data linda. Sei que mesmo com a distância física, sempre estarei junto com os quatro no coração”.


Ruth Mary Rutes, professora de Educação Física e mãe de duas filhas, Marina Araceli Gomez Rutes, 25 anos, que trabalha com Comércio Exterior e mora em Londres, e Luana Gomez Rutes, 18 anos, que mora em Joinville e estuda Design de Animação Digital.

“Minha filha mora fora do Brasil há quase dois anos, mas antes disso já havia feito um intercâmbio para Londres, em 2015. Neste tempo conseguimos tirar cidadania, através de Luxemburgo, e ela decidiu se mudar para lá. A Marina é formada em Relações Internacionais, e em Londres trabalha com Comércio Exterior. Felizmente já tive a oportunidade de visitá-la duas vezes, e ela virá para o Brasil em julho. O coração de mãe sofre muito a falta da presença física. A saudade que sinto no dia a dia por tê-la tão distante é uma mescla de sentimentos. Por um lado vem simultaneamente a alegria de vê-la realizando seus objetivos, por outro lado vêm todas as preocupações peculiares de mãe quando o filho está ausente. Penso que os sistemas de comunicação atualmente diminuem muito esta sensação do vazio, pois mantemos contato muitas vezes no dia. No Dia das Mães vêm as reflexões, as lembranças, o desejo de estar próxima de quem amo tanto, mas a Luana estará comigo, nos vemos sempre. Sei que a Marina está vivendo o que projetou e isso me tranquiliza. A frase mais linda e doce aos ouvidos de uma mãe é ‘mãe, eu estou bem’. Ouvindo isto os dias vão passando e sei  que logo nos encontraremos. Os filhos crescem e saem do ninho, nossa missão como mãe é dar o amor e carinho, ingredientes fundamentais para enfrentar o grande mundo lá fora”.


Marli Stieven Sonza, enfermeira e mãe de três filhos, Mariana, 32 anos, advogada, Marcelo, 30 anos, engenheiro mecânico e Marília, 27 anos, arquiteta.

“A vontade de conhecer e experimentar outras culturas sempre foi muito forte em nossa família. A Mariana morou dois anos na Inglaterra e alguns meses na Alemanha e Itália, após sua graduação. O Marcelo morou alguns meses nos Estados Unidos, e a Marília está há dois anos na Europa, morou um ano na Itália e agora está em Londres, onde pensa em se estabelecer. Temos cidadania italiana, o que facilita um pouco. O contato com os três é frequente, seja por vídeo, celular, WhatsApp. Filhos longe de casa não é estranho para mim, esta também é minha história e por isso eu sempre os apoiei neste sentido. Não tive a "síndrome do ninho vazio", me preparei para essa fase e estou feliz quando meus filhos também estão. Dia das mães para mim é todo dia! Eu me identifico com  uma frase que diz “Ser mãe é a arte de se tornar desnecessária”, pode ser um pouco triste, mas ela é acima de tudo genial e perfeita”.


Ciça Muller, empresária, mãe de Aline Müller Pasetti, 28 anos, que mora em Lisboa e trabalha em uma agência de publicidade, assim como a mãe, que é proprietária da Inteligência Marketing.

“Ser mãe de filha que mora no exterior me faz calcular tudo em milhagem (risos), uma bolsa, um sapato, um jantar, enfim tudo vira milhagem porque nosso objetivo é estar sempre que possível lá! Desde pequena a Aline queria explorar o mundo, conhecer pessoas e lugares diferentes. A Europa permite isso, porque em poucos quilômetros é possível conhecer lugares mega diferentes, com culturas, comida, costumes bem próprios e ao mesmo tempo nem precisa sair de onde está pra falar com gente do mundo todo, o trabalho, escola, tudo proporciona conhecer gente da Turquia, Noruega, Índia, Rússia, Alemanha, etc. Além da cabeça do povo europeu ser mais parecida com a da Aline, depois que saímos do nosso conforto é muito difícil nos acostumarmos com ele de novo. Por isso observo o quanto ela está feliz! Nos falamos várias vezes ao dia, nos aconselhamos e até algumas vezes discutimos, como se vivêssemos na mesma cidade. Nos primeiros anos, eu ainda procurava pessoas parecidas com ela andando pelas ruas, pra matar um pouco a saudade visual que tinha. Dá pra viver bem e planejar os encontros e claro, usar bem a tecnologia a nosso favor. Agora espero inventarem um jeito de nos teletransportar (risos). Nossos encontros são sempre muito emocionantes, com direito a abraços, beijos e lágrimas (risos). Estamos sempre planejando nossos próximos encontros e onde serão, mundo afora, pois aproveitamos os períodos de férias que temos. O Dia das Mães é para mim um momento de reflexão sobre a qualidade das relações. Às vezes podemos ser mães de um colega de trabalho, de um sobrinho e de quem está próximo necessitando acolhimento”.


Lúcia Oliveira Borges Rau, enfermeira aposentada e mãe de Carolina, 36 anos, que mora em Oslo, na Noruega, e Lilian, 27 anos, que mora em Florianópolis.

“Ambas começaram o processo de saída do ninho com o objetivo de estudar e se profissionalizar. Isso aconteceu por volta dos 17, 18 anos. Foi muito difícil para mim essa separação e percebi mais tarde que também não foi menos difícil para a outra irmã, que tinha nove anos a menos. Tudo é como um parto, tudo meio traumático, mas quando o resultado é positivo, surge a vida e tudo vai se adaptando. Assim a Carolina iniciou o curso de Medicina na UFPR, em Curitiba, e a  Lilian alguns anos depois o curso de Design na UFSC. Mesmo já habituada com a ausência de uma filha, a saída da segunda foi um novo parto e o ninho agora estava vazio! Assim, muitos momentos de reflexão vão inundando os pensamentos. O saudosismo e a angústia fazem parte do processo, mas também a alegria de vê-las crescerem e se prepararem para os desafios de uma vida independente. As decisões serão delas, mas as consequências vão espirrar em nós, pois mães que amam seus filhos só estarão bem ao ver seus filhos em situação boa. Assim, a Lilian permaneceu em Florianópolis ao terminar a faculdade. Conseguiu manter um emprego e me parece que gosta bastante do que faz. Nos falamos sempre por celular, Skype e muitas vezes nos vemos, vou a Florianópolis ou ela vem aqui pois a distância é fácil. Já a Carolina a situação é bem diferente, a distância é muito grande. Ela inclinou-se para a área de Saúde Pública. Ao terminar a residência, casou em Curitiba e seguiu  num projeto aventureiro com seu marido que já havia em período anterior conhecido a Noruega. Lá ela conquistou um curso de mestrado e doutorado, e se dedica a área de pesquisa na Universidade de Oslo. Como a Lilian, a Carolina se encontrou nesta área, gosta muito do que faz. Em seus trabalhos, a pesquisa de campo é desenvolvida aqui no Brasil e isso acaba favorecendo muito nossos encontros. Nos falamos com frequência por chamadas de vídeos e combinamos por mensagens os horários para esses encontros pois o fuso horário dificulta, lá são cinco horas a mais. Contudo, é uma distância grande até a Noruega, mas já fui seis vezes para lá. São necessários três voos, um trem e um bonde até chegar ao destino. Duas vezes foi para a alegria do nascimento de meus netos, o Oliver em 2013 e o Benjamin em 2016. Assim, concluo que, ser mãe é amar, e amar é superar os desafios e de dar condições dignas de vida aos seus filhos e depois deixá-los voar. Hoje me sinto muito feliz e orgulhosa pelas minhas filhas. Elas são o meu presente. O Dia das Mães para mim não tem distância, não tem preço e nem dia na verdade, porque o verdadeiro presente é dado por Deus na oportunidade que me permitiu, na graça que tive de conduzi-las e hoje ver que são bons frutos numa sociedade!”.


Patrícia de Zutter Melo, professora de Inglês e mãe de Beatrice Melo, 25 anos, que mora em Gold Coast, na Austrália, e da Isabela, 12 anos, que mora em Balneário.

“Quando a Bea terminou o terceirão perguntamos se queria fazer um curso superior ou intercâmbio, como ela não havia decidido qual curso fazer e sempre teve vontade de morar fora, decidiu pelo intercâmbio e então despertou para o mundo. Foi para a Califórnia e retornou decidida que iria morar fora, quando voltou começou a trabalhar para guardar dinheiro, e com nosso apoio foi para a Austrália, ela optou pelo país porque é possível trabalhar legalmente desde que esteja estudando. Ela está lá há dois anos e não tem intenção de retornar. Mesmo assim é difícil, sempre falei que criaria minhas filhas para o mundo, mas é claro que gostaria que ela estivesse perto. Porém, tenho consciência que seria muito egoísmo e fico feliz em saber que ela está feliz lá do outro lado do mundo. Fui para lá em 2018 e foi maravilhoso porque matei as saudades, tive a oportunidade de conhecer um país fantástico e a certeza que ela tinha feito a escolha certa. Em casa todos sentem muita falta dela, mas pelo momento político e econômico que estamos vivendo aqui, sabemos que ela está muito bem lá, então de certa forma isso nos conforta! Eu não dou muita importância para datas comemorativas, vejo muito como algo comercial, mas pelo contexto, de pessoas comemorando e postando massivamente nas redes sociais faz com que eu sinta mais falta dela, mas também graças a essa tecnologia conversamos quase todos os dias, o que facilita um pouco lidar com a distância”.


Jaqueline Herta Knoll Campos, diretora de escola e professora de História, mãe de Ananda, 35 anos, que mora em Salvador, e Sofia, 23 anos, que reside em Balneário, e vó de Iara e Diana.

“Quando eu recebi a notícia de que a Ananda ia embora para Salvador teve assim um misto de alegria e tristeza. Alegria porque ela e o marido estavam indo construir uma vida melhor, porque o esposo dela passou para um concurso para uma universidade federal e a gente fica feliz, mas veio a tristeza de saber que ela ia para longe. É uma coisa muito difícil para uma mãe aceitar. Ter ela longe é complicado, a gente sente saudade, se preocupa, porque quando está perto qualquer coisa a gente corre, acode. Por mais que ela seja adulta, mãe, continua sendo sempre minha filha, e a distância atrapalha um pouco porque eu acabo me preocupando um pouco mais. Ela está morando lá há três anos. A gente procura matar a saudade nos visitando. Eu tenho frequentado bastante a ponte aérea Navegantes-Salvador (risos). Já fui para lá umas quatro ou cinco vezes nesses três anos e é bom, mas é desgastante, cansativo, é uma viagem longa... mas para matar a saudade a gente faz o impossível. Ela também vem pra cá, veio duas vezes nesse tempo para nos ver e ver a família do pai dela, que também ficou aqui. Hoje a tecnologia ajuda muito, porque temos o telefone, videochamada, Whats, mandamos foto sempre. Tenho duas netas inclusive, a mais nova, a Diana, nasceu lá. Já temos uma baianinha na família (risos). Para mim o significado do Dia das Mães é o momento de amor que a gente recebe dos filhos, e que também podemos transmitir para nossas mães, eu ainda graças a Deus tenho a minha. Nesse dia é a hora de expressar todo o carinho que às vezes deixamos de expressar no dia a dia. A Sofia é muito de fazer um programa comigo, ela não liga tanto para presente. Estamos vendo de sair, ir ao cinema, numa sorveteria, curtir um momento mãe e filha. Eu acho isso muito legal da parte dela. É o momento de expressar e viver o que deveríamos expressar todos os dias, pois todos os dias a gente é mãe”.


Simone Sampaio é mãe de Mateus, 19 anos, que estuda e mora na Alemanha, e da Maria Clara, 12 anos.

“O Mateus cursava o Ensino Médio no IFC e começou a participar de um projeto de robótica, que acontecia com alunos do nível superior, eles iam a competições fora do Brasil e ele começou air também, já falava bem o inglês. Foi numa viagem para fora, em Nova York, que voltou muito animado. Depois dali ele também se inscreveu num projeto também oferecido pelo IFC, quando fez um intercâmbio e foi para a Universidade do Porto, em Portugal. Ficou lá quase quatro meses e já foi bastante difícil, porque apesar de eu ficar muito feliz com essa conquista dele, eu fiquei muito preocupada. Foram os primeiros quatro meses dele sozinho, mas ele já tinha a visão de saber lidar com certas situações. Desde os 13 anos ele pratica remo, então já havia viajado para outros estados brasileiros e tido experiências sozinho muitas vezes. Quando ele retornou, ele já entrou universidade, cursando Engenharia Elétrica, e decidiu que queria estudar fora do Brasil, e o melhor lugar para a profissão dele seria a Alemanha. Ele fez contato com um menino que traçou o mesmo caminho que ele, que aconselhou que ele precisaria fazer alemão. Ele fez durante um ano e meio três cursos de alemão, e agora lá ele está fazendo uma complementação do Ensino Médio, para acessar diretamente a universidade lá. Ele fez tudo isso sozinho. Como mãe eu acho que quando ele começou a fazer alemão, eu senti que ele tinha o sonho de ir morar fora, mas ele falava mais com o pai sobre isso, acho que ele sentia que eu ia sofrer e foi deixando para depois. Foi indo e ele começou a falar algumas coisas, meu marido Alexandre começou a falar comigo, foi ficando mais real. Não tínhamos a menor ideia como tudo poderia acontecer, mas tudo foi dando certo. Porém, não posso negar que sofri bastante, principalmente porque não tem data para voltar. Para a Maria e o Alexandre também é complicado. Quando o Mateus foi para Porto a Maria era menor e ela sofreu muito, chorava muito, ficava muito grudada comigo. Agora que ela está maior, também faz remo, estuda inglês, ela tem dias bastante cheios e se distrai um pouco. Eles não tem contato diário, mas está bem. Eu e o Alexandre temos nos acostumado mais com a ideia, tem dias mais difíceis e dias mais fáceis. As vezes um segura a onda do outro. A gente mata a saudade usando a internet, conversando por vídeo, ele mostra onde está, sempre nos mantém informados. Ao mesmo tempo que eu sei que todo o investimento que fizemos sobre ele como pais, psicológico, auxiliando na formação de caráter, sabemos que ele está lá porque é seguro e determinado, mas fico com o coração apertado porque é muito longe. Porém, ele está feliz e isso enche meu coração de alegria, faz com que eu suporte melhor. Já passei um Dia das Mães sem ele, quando ele estava em Porto, dá uma angústia muito grande, de querer abraçar, beijar, sentir o cheiro. E sei que esse vai ser assim também, mas sei que ele pode não estar perto fisicamente, mas sei do amor que ele sente por mim e isso compensa. Pretendemos trazer ele em dezembro para ficar conosco, com os amigos e com a namorada. Ser mãe é uma missão, colocamos eles para ser alguém, fazemos com que se sintam seguros, amados, e incentivamos que possam ter suas próprias vidas. Eles sempre podem retornar para casa, mas não porque precisam e sim porque nos amam. Vejo que com ele a minha missão foi cumprida”.


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