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CINE-CRÍTICA Cinebiografia 'Lou' perde força ao se submeter às convenções pobres
Divulgação.

Sexta, 12/1/2018 11:59.

CÁSSIO STARLING CARLOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O nome de Lou Andreas-Salomé (1861-1937) entrou para a história como exemplo de pioneirismo na luta feminina por direitos e autonomia, bem antes de o feminismo ganhar corpo. A aristocrata russa tornou-se conhecida também por ter sido uma das primeiras psicanalistas e por ter compartilhado ideias e afetos com nomes celebrados do pensamento e das artes.

"Lou", cinebiografia assinada pela alemã Cordula Kablitz-Post, recria um retrato da personalidade, afirmando sua singularidade e a posição dela no convívio com figuras masculinas canonizadas.

O primeiro problema que o roteiro escrito pela diretora e por Susanne Hertel evita é submeter Lou à fórmula "por trás de um grande homem existe uma grande mulher", que mal esconde seu teor hierarquizante.

Suas relações com Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Rainer Maria Rilke são reconstituídas com base no ponto de vista dela, a partir do artifício narrativo de ela, na velhice, rememorar vivências a um jovem escritor.

O recurso permite recriar fatos já retratados na cinebiografia "Além do Bem e do Mal", dirigida pela italiana Liliana Cavani em 1977. Ali, a magnitude de Lou aparecia contraposta às fragilidades pessoais de Nietzsche e permitia evidenciar as desordens do desejo no triângulo amoroso com o filósofo Paul Rée.

Em "Lou", as figuras masculinas são dispostas em torno da protagonista, que ocupa o centro dramático e narrativo, o que altera toda a configuração de lugares nas relações dela com eles.

A preocupação maior não é torná-la mais importante que eles, devolver influência apagada pela predominância masculina na circulação das obras dos autores, mas destacar a força de sua personalidade em si e junto a eles.

A clareza da abordagem aparece na forma como o filme escolhe não colocar Lou contra os homens ou como mera refém de mentalidade patriarcal, preferindo evidenciar seus valores num mundo regido pela lógica masculina.

Essa singularidade surge com maior evidência, por exemplo, nas cenas de conflito que a opõem a Elizabeth, a irmã protonazista de Nietzsche. As ousadias libertárias de Lou revelam a intolerância e o autoritarismo subjacentes à moral religiosa da família do filósofo.

Enquanto essas diversas qualidades do tratamento da personagem ajudam a sustentar o interesse de "Lou", o filme perde força ao se submeter às convenções mais pobres das cinebiografias.

A preferência por uma encenação ilustrativa, a submissão ao princípio de fidelidade factual e a busca de uma beleza certinha amenizam a natureza nada convencional de sua personagem.

Em comparação com a Lou perversa imaginada por Cavani 40 anos atrás, percebe-se como o cinema e o mundo retrocederam a um nível inimaginável de caretice.

LOU
(LOU)
DIREÇÃO Cordula Kablitz-Post
ELENCO Katharina Lorenz, Liv Lisa Fries, Nicole Heesters
PRODUÇÃO Alemanha, Áustria, Itália, 16 anos
QUANDO em cartaz
AVALIAÇÃO regular 


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