Jornal Página 3
Com crise, economistas já preveem corte menor para taxa básica de juros

FLAVIA LIMA,TÁSSIA KASTNER E DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nem bem a leva de economistas mais resistentes se dobrou às projeções da maioria e passou a contar com um corte na taxa básica de juros (Selic) de 1,25 ponto percentual, o tsunami que atingiu o governo mexe novamente com as previsões para os juros no país.

Já há quem diga que o Banco Central deve optar por um corte de apenas 0,75 ponto percentual na próxima reunião, no fim de maio -metade do que chegaram a esperar os mais otimistas.

Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, diz que é bem provável que o corte de 1,25 ponto percentual não se realize porque a previsão se ancorava tanto na alta probabilidade de a reforma da Previdência fosse votada no início de junho quanto em um câmbio relativamente estável.

As expectativas de inflação, lembra ela, são muito influenciadas pelo câmbio, cuja trajetória agora é bastante incerta. "E a única certeza que dá para ter neste momento é que a reforma não será votada quando se esperava."

Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp, fundo de pensão com R$ 27 bilhões sob gestão, avalia ser possível que a autoridade monetária opte por um corte menor, de 1 ponto percentual, no fim de maio. "Quem apostou em 1,5 ponto está fora do jogo e certamente vai arcar com prejuízo", diz.

Lucas Marins, analista da Ativa Investimentos, concorda e vai além. Marins não descarta a possibilidade de o BC esperar o cenário ficar mais claro para só depois definir que atitude tomar. "Quem se posicionou apostando que o BC ia cortar 1,25 ou 1,50 ponto percentual pode ter perdido dinheiro".

Já o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, avalia que há uma posição de cautela e, ao longo de duas semanas, se tiver um sinal de mudança rápida, sem grandes desgastes, é possível que o recado seja mais moderado e que haja um corte na Selic entre 75 pontos e 100 pontos.

TESOURO

Os títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto voltaram para patamares de remuneração oferecidos em dezembro do ano passado. Naquela época, o presidente Michel Temer tinha acabado de apresentar sua proposta de reforma da Previdência e medidas de estímulo à economia, como a liberação do saque das contas inativas do FGTS.

O Banco Central ainda cortava de forma modesta a taxa básica de juros da economia.

A remuneração do Tesouro IPCA + (que paga a inflação e mais uma taxa de juros) com vencimento em 2024 saltou de 4,99% a 6,01%. O contrato com vencimento em 2035 podia ser comprado com remuneração de 5,97%. O Tesouro Prefixado 2020 voltou a ser negociado com remuneração acima de 10% ao ano, o que não ocorria desde o final de fevereiro. 


Sexta, 19/5/2017 7:23.




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