Jornal Página 3

Artistas independentes resistem em Balneário Camboriú

Segunda, 25/12/2017 10:29.

Muito mais do que apenas sonhar, representantes da economia criativa investem em seus trabalhos autorais. Mesmo com um público que absorve lentamente o que é novo em Balneário Camboriú, eles buscam formas independentes de custear produções próprias, carregadas de identidade, suas marcas no mundo.

“Faço música para a alma”

Fotos Divulgação

O músico Rafael Salvador tem 31 anos, nascido em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, já morou no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro antes de chegar, há 15 anos, a Balneário Camboriú, lugar que ele considera sua terra. Salvador está em processo de gravação do seu segundo álbum, ainda sem nome, custeado 100% com recursos próprios.

Formado em música pela Univali e hoje aluno do Conservatório de Itajaí, Rafael Salvador dedica seu amor à música popular brasileira, passeando por ritmos como o samba e a bossa nova.

Como é servidor da Fundação Cultural, ele não pode concorrer a verbas do município para incentivo à cultura. Isso não foi um impeditivo para dar início ao novo projeto. Foi ao banco e solicitou um empréstimo e afirma que o projeto segue aberto para empresas que tiverem interessem em investir em arte.

O álbum está sendo gravado em São Paulo, com o produtor Raul Misturada. Segundo Rafael, a escolha aconteceu por uma questão de networking. Em dezembro o músico passará 10 dias em São Paulo para gravação dos vocais e em janeiro o álbum deve ser finalizado. 

Serão prensadas mil cópias, discos que Rafael Salvador pretende vender e apresentar para quem abre espaço para a música autoral. O custo inicial é de R$ 12 mil e o final ainda é incerto, porque a medida que vai tendo possibilidade de incrementar o material, ele investe, com apoio da família toda envolvida na arte, a companheira Michele Chaves, que é bailarina e dos filhos Arthur e Antônia.

Desafios - recompensas

Rafael Salvador reconhece as barreiras que a música independente enfrenta, entretanto afirma com convicção que “fazer sucesso” não é a sua maior preocupação. 

Para ele, que foi incentivado desde os 10 anos pela mãe que adorava música, fazer sucesso é construir um legado. Aparecer na grande mídia e ser tocado na rádio são outros 500, que envolvem pagar para estar lá e esse é um passo que ele ainda não pode pisar.

O músico renega as facilidades artificiais (e pagas) pra bombar e adota uma forma orgânica de deixar a sua marca, recorrendo aos nichos que ainda reservam espaço para a cultura.

Mesmo com o espaço limitado para a música autoral em Santa Catarina, tanto rádios como palcos, ele vai levando aos poucos suas produções, intercalando nas apresentações que faz pela região entre um Chico e um Jorge Ben.

“Quando eu penso em autoral eu penso em investimento, é o que eu vou deixar quando passar por aqui. Quero ter esse material pra quando acabar isso...não só como músico tocando em barzinho ou hotel, isso aí me dá o sustento pra eu colocar no autoral”, comenta.

Foi assim, entre um trabalho e outro com o violão a tiracolo e com a venda de cotas, que Salvador gravou Brasilim, o primeiro álbum da carreira. Desta vez foi mais ousado e tomou para si o investimento.

Com o material em mãos, planeja para o próximo semestre um show de lançamento e vai lançar um financiamento coletivo para custear mais uma pegada, um DVD no Teatro Municipal.

“Eu vou compondo, a qualquer momento eu posso marcar um gol...eu vou jogando as minhas iscas no mar, de repente alguém pega, regrava ou gosta, aquilo viraliza...com a internet eu tenho a possibilidade de jogar para o mundo”, sonha, com os pés fincados em sua terra.

Para saber mais: facebook.com/rafaelmpb

 

Nada vai me fazer parar

A cantora e compositora Priscila Ogg, 25 anos, é determinada como toda boa leonina. Fã de Luiza Possi ela gravou o EP “Pelo Sentido de Tocar”, como produtor Ivan Teixeira, em São Paulo, que já trabalhou com Luiza, Zizi Possi e Bruna Caran.

O EP terá cinco músicas que serão lançadas de forma digital e física. Em paralelo, Priscila organiza o show de lançamento, marcado para 8 de dezembro no Teatro Municipal. 

Entre gravações, vídeos e o show, ela vai desembolsar em torno de R$ 15 mil.

“Não tenho nenhum tipo de patrocínio e apoio. Os recursos são “suavemente” próprios. Em outras oportunidades já tentei incentivo do município/Estado/Governo sem sucesso. E dessa vez, preferi não esperar a incerteza de mais um edital. Foi a melhor coisa que fiz”, exclama.

O show “Pelo Sentido de Tocar” vai reunir 14 músicas autorais. Depois de lançado aqui, ela pretende levar o trabalho adiante, inclusive para os solos paulistanos da oportunidade. “Sinto essa sede por crescimento gritar em mim, NADA vai me fazer parar”, finaliza.

Para saber mais: facebook.com/priscila.ogg

 

É quase como um filho

O poeta Ernesto Wenth Filho também levanta a bandeira das produções independentes e acaba de receber os exemplares de seu quarto livro, Sólido.

Ele realizou uma campanha de financiamento coletivo pelo site Catarse e conseguiu apoio para custear metade dos mais de R$ 4 mil que custaram os 500 exemplares. A outra metade do investimento saiu de seu próprio bolso.

“É quase como um filho”, pontua o poeta. Aos poucos ele pretende ir levando Sólido para o mundo, vendendo os exemplares em eventos e em livrarias da cidade. 

“Vou levando em bares onde estou sempre com as bandas, coloco o banner e vou vendendo. É um trabalho de formiguinha, mas é um prazer porque são seus pensamentos que vão estar nas mãos das pessoas. Se paga a conta do livro e o resto vai tomando forma”, complementa.

Sólido alterna poemas e reflexões. O título faz referência a três significados em uma só palavra, o sólido do concreto, da solidificação como escritor, o só lido de lidar sozinho com todas as questões que o afligem e o só lido de já ter sido lido. “Uma alusão ao tempo que, sendo relativo, demonstra que tudo que será escrito também já foi lido antecipadamente”.

Acompanhe em facebook.com/ernesto.wenthfilho


 

 


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